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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Lapsos de um dia dos mortos (ex-amantes)

Entorpecido por cada gole, me fiz homem na hora em que a beijei nos lábios. Do mais doce mel, não senti nada de arrependimento. Já sentira isso antes. Foi com tal graça que beijei teus seios, mas não senti nada além de excitação. Toquei na tua vulva com meus dedos e, no vaivém, me senti mais homem que nunca. Mas isso não durou.
Olhei para o lado e não vi mais ninguém. Estávamos sozinhos ali, naquele momento. Éramos só eu e ela. Mas eu não me sentia capaz. Enrijecido, pensei em colocá-la de quatro, naquele momento, mas não me foi permitido. Ficamos só naquilo. Beijos, abraços e movimentos tão frenéticos que acordaram fibras de mim que eu não sabia que existiam.
Mas eu já sabia qual era seu gosto, suas procedências, seus gostos e limites. Não era nada de novo. Não era o que eu queria. Era o que eu tinha disponível numa mente entorpecida, ébria, tomada pelo sabor transparente de uma água intoxicada. Eu não era eu mesmo. Eu me sentia tomado pelos hormônios que me acordavam de um sono que, há muito, me fazia hibernar. Eu me sentia desperto, mas nada alerta. O cérebro que eu tanto sentia orgulho não me serviu de nada e caí, mais uma vez, em garras que me prenderam até o sol raiar.
Nessa noite, eu me vi preso em partes de mim que não eram meu eu normativo. Estou confuso. Existem lapsos em minha memória. Mas sei que não consigo mais me olhar no espelho sem lembrar que traí cada convicção do meu corpo. Momentaneamente, fui um homem feliz.
Confuso, acordei no dia seguinte vendo-a deitada ao meu lado. Encurralado, me senti preso e abismado. Perguntei-me o que poderia fazer, mas nenhuma resposta me foi conclusa. Ainda hoje não sei o que aconteceu. Ainda não sei o que poderia ter feito. E ainda me culpo por ter caminhado ultrapassando os limites anteriormente impostos. Mas nada me deixa mais triste do que lembrar que tudo poderia ter sido melhor se eu não a tivesse encontrado, naquele estado.
Mas foi ela quem me provocou, me puxou para um canto, fez de mim o homem que sou e se divertiu com o que se passou. Não sei o que fazer, nem se posso reclamar. Sou humano e ainda posso errar. Aquilo foi tortura e, mesmo assim, não tem nome. Hoje, sinto só desprezo. Não consegui olha-la nos olhos e sentir qualquer coisa a não ser esse arrependimento.
A agressividade com que escrevo essas palavras não tem sentido. Ela tentou me colocar contra a parede, crucificar-me pelos meus pecados. Mas não fui eu que menti descaradamente. Não fui eu que enganei para tentar ficar por cima. Não fui eu que mentiu sobre sua aparência para tentar diminui-la. Eu que sofri com todas essas coisas. É engraçado como sempre lidei com ela tal qual uma vítima quando, na verdade, fui eu que sofri de mentiras contadas sem qualquer propósito.
Magoei-me pelo que me foi dito diretamente quando, tempos antes, magoei pelo que foi dito pelos outros. As fofocas podem acabar qualquer coisa e, com certeza, elas teriam sido melhores do que qualquer mentira que eu possa ter ouvido desses lábios finos, nesse rosto redondo, nesse corpo voluptuoso.
O teu seio já não me faz falta, tua vulva, também não. Assim como ao teu lábio, quero distância dessa mente doentia que insiste em me aparecer na lembrança, em forma de nostalgia. Sempre que eu te vir, procurarei evitar. Pois não sou obrigado a sofrer em teu nome, quimera dos meus pesadelos últimos.

sábado, 27 de setembro de 2014

Poeminha de quem acorda

Se acaso uma porta se abrir
Não me deixe passar
Me deixe contemplar
A escolha de ir ou de ficar
Pensar se devo ir e me lembrar
Ou ficar e imaginar

Se acaso uma janela se abrir
Não me deixe por ela olhar
Me deixe invejar os que estão a passar
Pensando se devo viver
Ou só imaginar

Se acaso a vida me acordar, porém,
Me deixe viver
Abandonar essa vida de bastidor
Porque quero me divertir
Afinal, não sou apenas mais um ator

sábado, 20 de setembro de 2014

Mania de escritor, mentir e viver

Sou um poeta
escrevo nas entrelinhas
o que meus conceitos querem dizer
imito sentimentos
como quem quer viver
canto minhas canções
como quem quer saber
mas ignoro o conhecimento
como quem quer ser feliz
pois habito num plano
onde tudo é igual
nada é colorido
e o único jeito
é não tentar ser perfeito

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Bloqueio sem nome

Nesta folha, o branco me desperta visões de tudo aquilo que eu poderia vir a escrever. Mas acontece que eu não consigo. Conforme eu penso em mais coisas, mais ideias, não consigo descrever em palavras todo o conteúdo imagético. Minha imaginação desperta, cada vez mais, com cada referência, lida, vista ou ouvida. Meu coração acelera com esse tipo de coisa, mas toda vez que coloco a caneta no papel, esqueço completamente de tudo o que eu estava pensando. Talvez seja um bloqueio, mas eu sinto que perdi a vontade de escrever. Todas aquelas coisas que eu pensava, sonhava ou só imaginava, se apagam no meu raciocínio. O fio perde a meada e eu esqueço aonde estou, para onde ir e de onde vim. Logicamente, então, esqueço do meu espaço imediato. Mas e quando estou? Esta pergunta, levemente capciosa, diz exatamente o que eu quero. Eu me sinto perdido numa linha do tempo, onde sinto que perdi tempo demais fazendo coisas de menos. E ainda mais, sinto como se não houvesse tempo suficiente. Então, a conclusão mais simples: estou morrendo, cada vez mais, e não fiz nada para aproveitar; sendo assim, vou mais fundo nessa linha de raciocínio e alego que eu poderia partir logo ou mudar meu estilo de vida e fazer mais nesse curto período de tempo que eu jamais fiz. Mas a verdade é que isso tudo é mentira. Tudo é. Me disseram que a verdade é outra coisa. A verdade é aquilo que existe. Mas e se eu me apaixono? Isso é a verdade? Não é meu corpo querendo outra coisa? Não vou me demorar acerca desses assuntos. Desisti desse tipo de coisa. A solidão, aquela velha amiga, me parece bem mais agradável. Ela me procura mais que qualquer outra coisa, ou pessoa. Eu não saberia dizer nada acerca disso. É uma consequência natural da vida. Assim como a morte. Então, por que tanto medo? Não é medo da morte. Sei que ela é certa e vem. O medo é que ela venha cedo demais. Que eu não possa fazer nada agora e nada depois. O tempo me ensinou muitas coisas. E a mais importante delas é aceitar. Acatar tudo o que me é dado. E seguir em frente. Prestar atenção na sutileza das coisas e procurar presentes ocultos. Podemos escapar de qualquer situação se prestarmos atenção nos pormenores. Eles definem a história. Basta prestar atenção e ler os sinais. Aprender que todo homem é uma ilha: nasce e morre só; mas que ninguém precisa viver sozinho. Afinal, o movimento de placas tectônicas é suficiente para movimentar as ilhas em qualquer direção, com relação aos continentes. Basta um intermédio. Cada um é responsável pelo seu próprio movimento no universo. As leis regentes abrigam os fantasmas das nossas decisões. E elas habitam nos cantos escuros do nosso interior e buscam massacrar nosso Ego. Para que possamos alegar, sempre, que não somos responsáveis e, sim, algo mais independente que nós. Que ele é o produto do meio inserido. E que, sem controle, ele pode fazer muito mais.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Distâncias imaginárias

Ele não tinha nome, mas ninguém tinha. Ninguém mais sabia de nada. O conhecimento humano já não era mais nada além de uma sombra. O menino não tinha idade. Não sabia os números. Sentava sozinho e era como ficava o dia todo, todos os dias.

Dormia de olhos abertos. Acordava sem perceber que havia dormido. E, nas olheiras, denunciava um sono muito maior do que o que sentia. Dentro de si, carregava mais lembranças do que gostaria de dizer. Mas não dizia nada. Tinha medo de fechar os olhos, de falar, do que poderia escapar.

Era levado, cada vez mais, ao Distante. Um mundo sem cor, transparente, bioluminescente. Lá, era assombrado por todo tipo de monstros. Em noites normais, ele podia se esconder nos livros, mas frequentemente ele era perseguido.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Prosa caótica

Me perdi aos dezessete anos
Perdido como nunca estive antes
Renegado entre almofadas
Choro minha alma sem palavras
Resoluto, mantenho minha obstinação
O desejo de ser feliz se apaga
Conforme enxugo as lágrimas
Determinado a esquecer
Lembro de todos os destinos
Das viagens que fiz ao longo
Numa rota sem direção ou sentido
Torta, andando em círculos
Procurando um destino comum
Meu cotidiano, o horror mundano

quinta-feira, 13 de março de 2014

as cores da vida.

cinza. os prédios se erguem ao passo que o sol se move. um trajeto diário, pessoal e esclarecedor. dia após dia, semana após semana, mês após mês e ano após ano. é em nome do eterno que se dedica tal jornada. entre suspiros e sussurros, tanto fica no papel; as palavras somem em meio tantos sentimentos que se escondem atrás de cores e sonhos. os portais da imaginação discorrem entre mapas e teoremas da ideia humana.
você está no ponto A, segue como um, na linha do tempo, para o ponto B, mas quando chega ao ponto C, você já está transformado em outra faceta de si mesmo. ventos espiralados correm através das árvores e destroem cada membro da natureza composta, a vida que se ergue, a vida que continua, mas aquela que cai, todos os dias, ainda lembrança da jornada dedicada ao eterno.
o tempo vai, mas volta, tão logo os relógios percebem um erro, entre tantos pensamentos. o desejo age como motivador essencial da vida.
a linha da vida é como um agente para sequenciação do tempo. a literatura moderna o define assim, mais ou menos. não há muito a ser dito sobre o assunto. os teóricos apenas o imaginaram, mas as paredes das dimensões que nos esmagam no plano são finas como ar puro. a fumaça que enevoa nossos pensamentos é como um muro, grosso e impenetrável. assim, não podemos nos elevar e fugir.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Esquece...

enterrado em mim
vejo-me nos espelhos
esqueço-me de tudo
vejo o passado e sorrio
lembro do futuro e choro
ouço ecos dos pensamentos
que já me assombraram
quando matei sem dó
todas as partes de mim
ainda magoadas
que discordaram
quando disse que te amo

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Reencarnação

entre as montanhas
correm os rios
esculpindo sua estrada
e vivendo

entre as pessoas
vivo eu
fazendo minha trilha
seguindo a vida
e deixando de viver

entre as árvores
vive o chão
feito de pedras
sem origem
trazidas pelo vento
ou pela água dos rios
que vai ao mar
e lá se mistura
vira outro
e se perde
sem ganhar nada
além do mundo

o tempo separa tudo
desde as partículas fundamentais
até os maiores rochedos
com a esperança
de sempre retornar

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

sub-instintivo

Sem caminhos, entro nos bosques mais escuros dos dias mais tristes. o sol não aparece mais. ninguém me procura. ninguém me chama. sou esquecido entre tantos. e tantos se esquecem comigo. a cada pássaro, uma melodia. a saudosa vida escapa enquanto a virtude se esconde. mato com cada grito e assassino a cada refeição. a necessidade me espanta, mas não me abandona. a sanidade é uma imperfeição. existe apenas nos sonhos. e estes, há tanto abandonados, me retornam com terror e sanguinolência. os instintos mais selvagens despontam. o animal em mim retorna. e a razão, tão adorada pelos hedonistas, mente para mim. diz-me que o futuro é incompreensível. que ele não existe. o pensamento presente se confunde ao passado. em meio tanta dor e tanto pesar. é uma teia construída de fatos e sentimentos. entre rios de confusão, vejo meu reflexo e me dá um estalo. a vida não segue inútil. entre tantos gritos, rugidos e cânticos, todos os animais possuem certa sintonia. mas não me encaixo entre eles. são como abelhas e formigas. taxonomicamente parecidas até certo nível, mas não se misturam. abandono qualquer traço do meu tempo naquele lugar e sigo corrente acima. numa cidade, consigo ver mais do que matar a fome, a sede e ser refém dos meus hormônios. vejo a real possibilidade de rir, conversar e sentir algum prazer complexo. mas, cada vez mais, os sentimentos retornam. nesse meio, consigo sentir cada experiência acontecendo de novo. cada decepção, cada lágrima indevida. com isso, procuro abandonar a vida. me jogo. do alto. preto. não há mais nada. suspira. inspira. respira. devagar. quase parando. para de piscar, para de respirar, para de viver.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Soneto da mudança

As pessoas não mudam
Coisas mudam
Situações mudam

Não sou diferente
Me sinto diferente

Os dias nasciam
Passavam e iam
Sem muito mais

Agora, eles chegam
E ficam para sempre
Como crianças, brincando
Em sua recusa de crescer
Ficam para sempre...
na memória.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Gemini

Quando os deuses criaram o mundo, não achei que ia dar em muita coisa. Fui, então, observar. Havia uma criatura diferente de qualquer outra. Não tinha pelos, penas, asas, bico ou cauda. Havia, no lugar de couro, um tecido mais fino e macio. Passei a andar entre sua espécie sem mostrar minha verdadeira forma. Ocultei minha presença dos mais sensíveis. Conheci, então, o mais belo deles. Um homem diferente de qualquer outro que eu havia conhecido.  Não tardou que eu passasse a acompanha-lo a todos os lugares que ia. Era como uma sombra invisível. À noite, podia-se ouvir minhas lamúrias de não estar ao seu lado. Silenciosamente, minhas lágrimas caíam como chuva nos terrenos férteis, tornando-os secos e inóspitos. Os desertos tornavam-se mais escuros e sombrios. O mal começava a rondar pelo mundo. Todos os dias, fazia uma prece aos deuses. Meus gritos formavam terremotos e furacões onde quer que passavam. Um dia, porém, cansados de ver tanto mal na Criação, o rei dos deuses resolveu me conceder meu maior desejo. Deu-me um corpo e um nome. A felicidade, antes um sonho inalcançável, estava se tornando uma possibilidade tangível. Corri atrás do meu amado, com lágrimas aos olhos apenas para vê-lo caído, morto. Sem sentir, desfaleci. Meu corpo se foi tão rápido quanto veio. Uma dor, uma dormência, um ardor; mil sensações vieram, de súbito, ao meu recente coração. Um último grito. Ecoou pela vida e pela morte, acordando  deuses e  demônios. Apiedaram-se de mim. Nos puseram no céu, sempre juntos. Os dois amantes. Os gêmeos.
Gemini - JAMIESON, Alexander

domingo, 17 de novembro de 2013

Amargura

Sutilmente, abraço a amargura
Trago intrínseca ao corpo
Envenenando a alma
Discorrendo sobre todos os defeitos
Perseguindo a tortura
Tratando-a como rainha
Fazendo com que ela se sinta em casa

Peço mil perdões aos outros
Aqueles que se ofendem
Com toda a maldade que torno minha
O egoísmo que surge em mim

Uma ânsia análoga aos enjoos
De uma gravidez infundada
Que procura trazer dor e sofrimento
Com um novo ser vivo
Um novo monstro

Uma doença suave e fatal
A humanidade, é claro
Nasce torta, inflexível
Criaturas aladas de chifres
Monstruosas e desagradáveis
Demônios absurdos que me tocam
Abusam do meu corpo
Tapam meus olhos
Meus ouvidos

Fazem-me andar regressando
Vislumbrando apenas o passado
Esquecendo-me do presente

A dor maior da vida:
Conviver com todos os erros
Arruinando-me por não planejar
Consumido pelos vermes da incerteza
Que tudo poderia ter sido melhor
Tivesse sido melhor elaborado
Como um plano escrito
Cartas para si mesmo
Cartas que revelam coisas
Que já não têm mais efeito

Jogo nesse destino uma ficha
Aposto tudo que tenho
Minhas posses e tudo que fiz
Meus pensamentos e conquistas
Prometo até mesmo um sonho

Só quero voltar ao tempo
E corrigir tudo que lhe fiz
Porque o que poderia ter sido
Não pode ser pior que o que é
Uma condição infecto-contagiosa
Onde o arrependimento é o maior sintoma
E é o único que eu sinto
E eu só penso... Por quê?

Martirizo-me por não saber viver
Com a possibilidade de mudar
Aquilo que nem ao menos sei se existiu
Só defino que é o que me lembro
E denomino de passado
Porque se fosse futuro
Eu ainda poderia mexer
E poderia vir a ser feliz
Não fosse pela maldita amargura
Que penetra no meu inteiro ser
E me lembra sempre
Que nada é o que parece ser

domingo, 10 de novembro de 2013

Amadurecimento

Bata, apanhe, sinta
Esse coração já não quer mais viver

A ruína desta muralha inteira
É meu destino derradeiro:
A vida fraudulenta, virulenta
É uma sombra violenta

Vomito minhas palavras
Com nojo de dizê-las
Verborrágico, encontro abrigo
Nas palavras, minhas amigas:
Doces mentiras

Como vermes que surgem
É a morte que me pune
Degradando-me a alma tingida
Azeda e amarga

Um sentimento satírico
Falsamente ungido
Imaginariamente mantido

Morrem as ânsias
Da libertação servil
Do corpo pueril
Pré-pubescente, uma flor
Segue, adolescente, a dor
Sem sentido, descontínua
Infernal: a gentileza descomunal

Criatura abissal, virginal
Horrenda e impura,
Que percorre o mundo
Gritando o meu tudo
Divulgando meu universo
Diferente do que faço
Sem quaisquer versos

Apaga-me da existência
Toma meu lugar
Sente-se em casa
E constrói seu lar
Um dos meus pesadelos
Um dos meus maiores erros
É a que idade me persegue

Os princípios que carregarei
O passado que não deixei
A vida que me carrega
A morte que se supera
A dor última de minhas quimeras
As Parcas segurando o "fio da vida" (o discorrer)

Temos nosso próprio tempo


Havia uma borboleta e um menino:
feliz, ele a observava voar, sinuosamente.

Pelas flores pálidas e sem odor,
ele via a beleza da vida simples,
enquanto ela se transformava em lagarta.
Era ela, afinal, um curioso caso.

Podemos sempre ser quem quisermos.
Crescer é definitivo; amadurecer é subjetivo.

Nossos corpos e nossa mente, desvinculados,
discorrem na pintura da vida
sobre quem é mais importante.

Se esquecem, porém, da excepcionalidade
Que é o destino dar a volta
Para recuperar seu tempo perdido

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Alienado

Eu vivo no mundo da lua
Sozinho, sem ninguém
Sem saber pra onde eu vou

Uma vida impossível
Um sonho possível
Uma sensação terrível

É lá que eu vivo,
Na lua do mundo
Sem sentir as cores
Sem ouvir a música
Sem entender o puro

Parte a parte
Faz-se metade
E, depois, faz-se tudo
Então, cria-se o mundo
E entende-se o futuro

Do meu ponto
Tenho minha vista
Do seu, há razão
Seu direito; meu perdão
Meu amor e sua dor

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ao dormir

Sonha, criança
Com todas as coisas
Todas as cores
E todas as formas

Sonha, criança
Porque o mundo é seu
E quem decide é você
Quem vem e quem vai
Quando vem e se vai

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Inconstante desprazer do existir

   Acho que ninguém perceberia se eu desaparecesse. Talvez eu esteja sendo um pouco individualista ou só egoísta, mas não acho que alguém perceba minha existência. Os dias já não acontecem com a mesma velocidade. Tudo parece demorar uma eternidade. O tédio me permeia como uma infecção incurável.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"E o vento levou..."

Era uma história que havia começado há tantas luas que ele já não se lembrava. Os nomes foram apagados de sua memória como um pó que é soprado para longe pelo vento. A luz que o dava raciocínio, se apagava depressa. O mar surgia e ia, todos os dias. A maresia o lembrava das memórias que ele detinha, da infância. A juventude lhe fora apagada como uma forma de repressão. Preso em seu próprio mundo, fez-se uma vida.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Poesia sem título nº 10

Caminhando no calor, sobre as estrelas
Formigando-me nos pés, as nuvens
Amortecendo minha queda, a grama
Me escondendo, a sombra da árvore

O som dos pássaros me percorre
A espinha que arrepia todos os pelos
O peito que acelera com todo receio
De todo amor que aparece sem medo

Seja quem for, quem estiver, diga-me
O nome da rosa mais bela, que floresce
Na montanha mais alta, da mais escura
Floresta do mundo, casa de todos nós

O cheiro mais puro, o mais vermelho,
É salpicado de negro; a derrota mais triste
Onde me entorpece os músculos enrijecidos
Matando-me lentamente, com o sorriso

Minhas [des]ocupações mais valorosas...