Se acaso uma porta se abrir
Não me deixe passar
Me deixe contemplar
A escolha de ir ou de ficar
Pensar se devo ir e me lembrar
Ou ficar e imaginar
Se acaso uma janela se abrir
Não me deixe por ela olhar
Me deixe invejar os que estão a passar
Pensando se devo viver
Ou só imaginar
Se acaso a vida me acordar, porém,
Me deixe viver
Abandonar essa vida de bastidor
Porque quero me divertir
Afinal, não sou apenas mais um ator
uns negócios acolá
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sábado, 27 de setembro de 2014
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
Bloqueio sem nome
Nesta folha, o branco me desperta visões de tudo aquilo que eu poderia vir a escrever. Mas acontece que eu não consigo. Conforme eu penso em mais coisas, mais ideias, não consigo descrever em palavras todo o conteúdo imagético. Minha imaginação desperta, cada vez mais, com cada referência, lida, vista ou ouvida. Meu coração acelera com esse tipo de coisa, mas toda vez que coloco a caneta no papel, esqueço completamente de tudo o que eu estava pensando. Talvez seja um bloqueio, mas eu sinto que perdi a vontade de escrever. Todas aquelas coisas que eu pensava, sonhava ou só imaginava, se apagam no meu raciocínio. O fio perde a meada e eu esqueço aonde estou, para onde ir e de onde vim. Logicamente, então, esqueço do meu espaço imediato. Mas e quando estou? Esta pergunta, levemente capciosa, diz exatamente o que eu quero. Eu me sinto perdido numa linha do tempo, onde sinto que perdi tempo demais fazendo coisas de menos. E ainda mais, sinto como se não houvesse tempo suficiente. Então, a conclusão mais simples: estou morrendo, cada vez mais, e não fiz nada para aproveitar; sendo assim, vou mais fundo nessa linha de raciocínio e alego que eu poderia partir logo ou mudar meu estilo de vida e fazer mais nesse curto período de tempo que eu jamais fiz. Mas a verdade é que isso tudo é mentira. Tudo é. Me disseram que a verdade é outra coisa. A verdade é aquilo que existe. Mas e se eu me apaixono? Isso é a verdade? Não é meu corpo querendo outra coisa? Não vou me demorar acerca desses assuntos. Desisti desse tipo de coisa. A solidão, aquela velha amiga, me parece bem mais agradável. Ela me procura mais que qualquer outra coisa, ou pessoa. Eu não saberia dizer nada acerca disso. É uma consequência natural da vida. Assim como a morte. Então, por que tanto medo? Não é medo da morte. Sei que ela é certa e vem. O medo é que ela venha cedo demais. Que eu não possa fazer nada agora e nada depois. O tempo me ensinou muitas coisas. E a mais importante delas é aceitar. Acatar tudo o que me é dado. E seguir em frente. Prestar atenção na sutileza das coisas e procurar presentes ocultos. Podemos escapar de qualquer situação se prestarmos atenção nos pormenores. Eles definem a história. Basta prestar atenção e ler os sinais. Aprender que todo homem é uma ilha: nasce e morre só; mas que ninguém precisa viver sozinho. Afinal, o movimento de placas tectônicas é suficiente para movimentar as ilhas em qualquer direção, com relação aos continentes. Basta um intermédio. Cada um é responsável pelo seu próprio movimento no universo. As leis regentes abrigam os fantasmas das nossas decisões. E elas habitam nos cantos escuros do nosso interior e buscam massacrar nosso Ego. Para que possamos alegar, sempre, que não somos responsáveis e, sim, algo mais independente que nós. Que ele é o produto do meio inserido. E que, sem controle, ele pode fazer muito mais.
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terça-feira, 25 de março de 2014
Um sonho de comunidade
Que todos os exércitos
venham em meu favor.
Pois sou o único e verdadeiro
líder das tropas ocidentais.
Venham me ajudar
a derrotar os tiranos
que aprisionam nossas mentes.
Provem do veneno e percebam
o mal que ele faz
apesar do gosto doce que traz.
Venham lutar contra o que é errado
em favor da justiça
do amor
e do perdão.
Coisas esquecidas pelo mundo,
pela vida
e pelos injustos
que tanto fizeram.
Venham hoje em busca do nosso nome:
LIBERDADE
e que não seja dito em vão
pois nós não somos quem você pensa.
Somos o povo, somos a riqueza,
somos a verdade.
E hoje nós declaramos guerra
contra tudo que não é nosso.
Todos os sentimentos ruins e egoístas
que surgem em desunião.
Venham em meu favor
e liderem comigo
a guerra do fim do que é meu
do que é seu.
Decretemos uma lei
do que é NOSSO.
venham em meu favor.
Pois sou o único e verdadeiro
líder das tropas ocidentais.
Venham me ajudar
a derrotar os tiranos
que aprisionam nossas mentes.
Provem do veneno e percebam
o mal que ele faz
apesar do gosto doce que traz.
Venham lutar contra o que é errado
em favor da justiça
do amor
e do perdão.
Coisas esquecidas pelo mundo,
pela vida
e pelos injustos
que tanto fizeram.
Venham hoje em busca do nosso nome:
LIBERDADE
e que não seja dito em vão
pois nós não somos quem você pensa.
Somos o povo, somos a riqueza,
somos a verdade.
E hoje nós declaramos guerra
contra tudo que não é nosso.
Todos os sentimentos ruins e egoístas
que surgem em desunião.
Venham em meu favor
e liderem comigo
a guerra do fim do que é meu
do que é seu.
Decretemos uma lei
do que é NOSSO.
quinta-feira, 13 de março de 2014
as cores da vida.
cinza. os prédios se erguem ao passo que o sol se move. um trajeto diário, pessoal e esclarecedor. dia após dia, semana após semana, mês após mês e ano após ano. é em nome do eterno que se dedica tal jornada. entre suspiros e sussurros, tanto fica no papel; as palavras somem em meio tantos sentimentos que se escondem atrás de cores e sonhos. os portais da imaginação discorrem entre mapas e teoremas da ideia humana.
você está no ponto A, segue como um, na linha do tempo, para o ponto B, mas quando chega ao ponto C, você já está transformado em outra faceta de si mesmo. ventos espiralados correm através das árvores e destroem cada membro da natureza composta, a vida que se ergue, a vida que continua, mas aquela que cai, todos os dias, ainda lembrança da jornada dedicada ao eterno.
o tempo vai, mas volta, tão logo os relógios percebem um erro, entre tantos pensamentos. o desejo age como motivador essencial da vida.
a linha da vida é como um agente para sequenciação do tempo. a literatura moderna o define assim, mais ou menos. não há muito a ser dito sobre o assunto. os teóricos apenas o imaginaram, mas as paredes das dimensões que nos esmagam no plano são finas como ar puro. a fumaça que enevoa nossos pensamentos é como um muro, grosso e impenetrável. assim, não podemos nos elevar e fugir.
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
A vida e seu companheiro
Escalpelado, infeccionado
Arranco meu cérebro, desnudado
Impensável, irrefutável
Dor incurável, mal irreparável
Amante sereno
Seja sincero
Morto-vivo, grito
Zumbificado, meu amigo
Abandone-me com o tempo
Largue-me ao relento
Sábio rei das estrelas
Abra-te as asas
Fuja da realeza
Mentirosa fortaleza
Da maldade, casa
Da morte, brasa
Aristocracia demoníaca
Do submundo intrépida
Energética sobrevida
Do comando desigual
Inimaginável e abissal
Tortura afrodisíaca
Amante megalomaníaca
Arranco meu cérebro, desnudado
Impensável, irrefutável
Dor incurável, mal irreparável
Amante sereno
Seja sincero
Morto-vivo, grito
Zumbificado, meu amigo
Abandone-me com o tempo
Largue-me ao relento
Sábio rei das estrelas
Abra-te as asas
Fuja da realeza
Mentirosa fortaleza
Da maldade, casa
Da morte, brasa
Aristocracia demoníaca
Do submundo intrépida
Energética sobrevida
Do comando desigual
Inimaginável e abissal
Tortura afrodisíaca
Amante megalomaníaca
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Gemini
Quando os deuses criaram o mundo, não achei que ia dar em muita coisa. Fui, então, observar. Havia uma criatura diferente de qualquer outra. Não tinha pelos, penas, asas, bico ou cauda. Havia, no lugar de couro, um tecido mais fino e macio. Passei a andar entre sua espécie sem mostrar minha verdadeira forma. Ocultei minha presença dos mais sensíveis. Conheci, então, o mais belo deles. Um homem diferente de qualquer outro que eu havia conhecido. Não tardou que eu passasse a acompanha-lo a todos os lugares que ia. Era como uma sombra invisível. À noite, podia-se ouvir minhas lamúrias de não estar ao seu lado. Silenciosamente, minhas lágrimas caíam como chuva nos terrenos férteis, tornando-os secos e inóspitos. Os desertos tornavam-se mais escuros e sombrios. O mal começava a rondar pelo mundo. Todos os dias, fazia uma prece aos deuses. Meus gritos formavam terremotos e furacões onde quer que passavam. Um dia, porém, cansados de ver tanto mal na Criação, o rei dos deuses resolveu me conceder meu maior desejo. Deu-me um corpo e um nome. A felicidade, antes um sonho inalcançável, estava se tornando uma possibilidade tangível. Corri atrás do meu amado, com lágrimas aos olhos apenas para vê-lo caído, morto. Sem sentir, desfaleci. Meu corpo se foi tão rápido quanto veio. Uma dor, uma dormência, um ardor; mil sensações vieram, de súbito, ao meu recente coração. Um último grito. Ecoou pela vida e pela morte, acordando deuses e demônios. Apiedaram-se de mim. Nos puseram no céu, sempre juntos. Os dois amantes. Os gêmeos.
| Gemini - JAMIESON, Alexander |
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Um dos meus últimos poemas
Quero ir com uma música
Não qualquer uma
Ela tem que ser bonita
E tem que falar de mim
Pros outros saberem
Quem fui e porque fui
As palavras não podem ser doces
Têm que ser amargas
Têm que lembrar de mim
De toda a dor que eu senti
E de todo o mal que me causaram
Foi a vida que eu levei
O destino que escolhi
Ponho o violão no braço
Toco o que me lembro
Esqueço o que tenho
Vem a dor e passa a cor
Grito rouco e louco
Parte de dentro
Fulminante e agudo
Como todo o saber
Que percorre meu infinito ser
Os caminhos da existência
Os meandros da persistência
Vem o mundo transparente
Saudoso e violento
Aprisiona a mente
E transforma a gente
Levando-nos ao abatimento
A melodia fúnebre fatal
Uma tortura banal
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domingo, 10 de novembro de 2013
Temos nosso próprio tempo
Havia uma borboleta e um menino:
feliz, ele a observava voar, sinuosamente.
Pelas flores pálidas e sem odor,
ele via a beleza da vida simples,
enquanto ela se transformava em lagarta.
Era ela, afinal, um curioso caso.
Podemos sempre ser quem quisermos.
Crescer é definitivo; amadurecer é subjetivo.
Nossos corpos e nossa mente, desvinculados,
discorrem na pintura da vida
sobre quem é mais importante.
Se esquecem, porém, da excepcionalidade
Que é o destino dar a volta
Para recuperar seu tempo perdido
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segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Casulo
É de medo que se faz
Tudo aquilo que se traz
Do peito e do mundo
O externo unido ao interno
Preparado, está munido
Com todos os recursos
É a proteção do seu tudo
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Dilatação
Pouco a pouco, vai abrindo
É o céu se expandindo
As flores vem nascendo
E as cores, tão doces, mantendo
Conforme a noite toca
Tão suave, a melodia
A grande harmonia
É ela, afinal, a vida
Que surge, tão bonita
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Dois botes
Quis o destino mais uma vez que se encontrassem naquela ponte andando lado a lado. E, nunca antes na história, o destino se fizera cumprir de tal forma tão esplêndida. Veja você onde é que o barco foi desaguar.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Paraíso
Suponhamos o céu
As nuvens brilhantes
E as estrelas ofuscantes
A brancura sideral
A loucura espacial
Dos mundo, um longo véu
As minhocas fazem túneis
EOnde as belas árvores surgem
Com raízes diversas
E animais, tão alto, rugem
Com rios translúcidos
Brilhantes peixes transparentes
Fantasmas aparentes
Seres mortos, novamente vivos
Água da vida, fonte da juventude
Na montanha de grande altitude
A sobrevivente decrépita
Com um vento que apita
E mostra qual o verdadeiro sentido da vida
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Perde-se o molde
Quando se perde o lápis
Sublime é a imaginação
Que não permite limites
Unindo todas as coisas
Em um único espiral eterno
Com as luzes da ideia
Que faz jus ao arco-íris
Colorindo o céu de outra cor
terça-feira, 2 de julho de 2013
Ventos de inverno
Conforme os ventos sopram
Seu nome, eu escuto
Cada sílaba, um suspiro
E cada letra, um grito
E conforme, o sol aparece
Seu rosto, eu me lembro
Seu gosto, meu lamento
A lua aparece
E tudo mais desaparece
É a noite, uma criança
E a diversão, uma dança
Lembro-me das noites juntos
Que passamos a dormir
Sonhar com o futuro
Ter pesadelos com o passado
Aproveitando o presente
Mas, agora, tudo mudou
E é indescritível a saudade
Daquilo que fomos
E que nunca mais seremos
terça-feira, 12 de março de 2013
Pálidas flores
Doces flores
Brancos nenúfares
Siderais sombrios
Velas tocando
Cada coração uma melodia
Fúnebre frio
Rigidez assustadora
E paz infinita
Deitada em madeira
Em sono da Bela
Onde nem beijos
Abraços e desejos
Poderiam reverter
Tal fatalidade
Que foi sua morte...
| Os nenúfares de Monet |
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Poesia sem título nº 1
O inverno sorri
Enquanto as crianças correm
E o medo nos atormenta
Não as preocupa
O perigo não lhes aflige
Meu coração para
Sua alma responde
Nossos olhares se cruzam
A vida está lá, hibernando
Nossas mãos se tocam
Nossos olhos se afastam
A doce ilusão me aflige
Um perigo, como o das crianças
Algo doce, porém azedo e amargo
Um gosto de quero-mais
Uma bala de café
Um desejo proibido
Um outono interrompido
Uma paixão sem vergonha
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